[As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos
impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas.
Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão
confiança. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da
maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um
estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. São mulheres que
possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste
país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.]
As raparigas do Norte, por Miguel Esteves Cardoso

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