Não gosto dos sabedores de tudo.
Não gosto dos sabichões.
Não gosto das sabichonas.
Não gosto dos intelectuais de feriados em anos bissextos.
Não gosto dos que acham que podem e devem julgar.
Não gosto dos que julgam que têm a obrigação moral de nos mostrar o caminho certo.
Ou é porque são mais velhos.
Ou é porque são mais novos.
Ou é porque a vida deles foi muito mais difícil do que qualquer outra.
Ou é porque acham que viveram menos mas, com muita mais intensidade.
Ou é porque têm um MBA.
Ou é pelo raio que os parta.
Não gosto também daquela espécie de bons ouvintes que, aguardam apenas que acabemos de falar para que chegue a vez deles. Verdadeiras sumidades em todo e qualquer tema, passando imediatamente a vomitar as suas sábias palavras, para que nós, pobres ignorantes, as possamos absorver, se conseguirmos naturalmente.
Depois há também aquela espécie de ouvintes que, tem tanta, mas tanta ânsia em mostrar a sua imensa sapiência que, e sem qualquer falsa modéstia, nos interrompem, para nos dizer como é que as coisas são. Muitos nem se digam a pedir desculpa pela interrupção mas, dos que eu gosto mesmo é dos que nos dizem: “não te esqueças do que ias a dizer”.

