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Não te esqueças do que ias a dizer


Não gosto dos sabedores de tudo.
Não gosto dos sabichões.
Não gosto das sabichonas.
Não gosto dos intelectuais de feriados em anos bissextos.
Não gosto dos que acham que podem e devem julgar.
Não gosto dos que julgam que têm a obrigação moral de nos mostrar o caminho certo.

Ou é porque são mais velhos.
Ou é porque são mais novos.
Ou é porque a vida deles foi muito mais difícil do que qualquer outra.
Ou é porque acham que viveram menos mas, com muita mais intensidade.
Ou é porque têm um MBA.
Ou é pelo raio que os parta.

Não gosto também daquela espécie de bons ouvintes que, aguardam apenas que acabemos de falar para que chegue a vez deles. Verdadeiras sumidades em todo e qualquer tema, passando imediatamente a vomitar as suas sábias palavras, para que nós, pobres ignorantes, as possamos absorver, se conseguirmos naturalmente.

Depois há também aquela espécie de ouvintes que, tem tanta, mas tanta ânsia em mostrar a sua imensa sapiência que, e sem qualquer falsa modéstia, nos interrompem, para nos dizer como é que as coisas são. Muitos nem se digam a pedir desculpa pela interrupção mas, dos que eu gosto mesmo é dos que nos dizem: “não te esqueças do que ias a dizer”. 

As decisões tomam-se num dia qualquer


Era domingo, mais um, depois de mais uma sexta-feira em que passei quase 24 horas acordada, e de um sábado exaustivo em que não consegui dormir e passei o dia entre telefonemas a marcar e a desmarcar coisas e a beber litros de água, para hidratar.

Acordo no sofá, o senhorio teima em não vir arranjar a preciana do meu quarto. Sozinha. Senti-me mesmo sozinha. Enviei mensagens, continuei a sentir-me sozinha. Raios. Levanto-me, tomo banho, preparo o pequeno-almoço e a sensação não passa.
Como somos seres de hábitos, não sei o que vou fazer ao que estou a sentir então, vou fazer o que sei melhor: trabalhar.

Saiu de casa e vou para a esplanada ler e trabalhar um bocadinho porque, não há melhor remédio. Estou a sair do prédio, como música de fundo tenho os vizinhos do segundo esquerdo a desafinarem ao som da singe star e, quando desço o último degrau em direção à saída sou tomada de assalto por um pensamento simples, claro, como se que alguém me tivesse soprado ao ouvido: as decisões tomam-se num dia qualquer!

Não é preciso ser dia de aniversário, Natal, final de ano, ou segunda-feira como para as dietas. Pode ser hoje, e foi assim que tudo começou… Num dia qualquer.

Começo a pensar naquelas 3 coisas que devemos fazer para deixarmos o nosso legado, a tal história de ter um filho, já tenho 32 anos, e até agora o tal do relógio biológico, está caladinho como um rato. O mais longe que consigui ir foi, pesquisar na net os preços de uma york shire. Também nunca plantei nenhuma árvore, nem no dia da árvore na escola primária, mas tenho uma orquídea branca que rego religiosamente todos os domingos. Hoje é domingo, é dia da orquídea. Foi-me oferecida por outra flor da época, numa época que já passou e não deixou qualquer marca, só a orquídea no peitoril da janela à espera de ser regada todos os domingos.

A esplanada em frente a casa está cheia de gente, ou de pessoas, existem palavras que parecem sinónimos. Quando estou a chegar à esplanada, carregada com o computador e a carteira com livros, agenda e telefones, fui parada a meio da passadeira por um carro que não queria parar mas, parou.

Na esplanada, sou atendida por uma senhora simpática, gosta de mostrar que sabe o que eu gosto, peço café com adoçante e senhora responde: curto não é? Ela gosta de nos mimar e, eu gosto que ela o faça.


Café
Hora do Café

A escrivaninha da vizinha, é sempre melhor do que a minha!


Sempre gostei de ler, sempre quis ter um escritório cheio de livros, revistas, recortes e memórias. Desde miúda que guardo todos os meus livros, um dia cheguei mesmo a pedir à minha Avó Rosa - que os únicos livros que lia eram: ou romances (sempre às escondidas); ou livros sobre a vida de Jesus Cristo - uns livros para a minha escrivaninha que tinha finalmente chegado. Eu tinha nove anos e sonhava todos os dias com a chegada da minha escrivaninha! A minha Mãe torceu o nariz quando, me viu sair da adega da casa da Avó, com dois livros na mão, sim os livros eram guardados na Adega. 

Agora que tenho 32 anos e continuo a querer ter uma biblioteca/escritório e uma bela garrafeira, acredito que lá no fundo, tenha herdado "este" gene da minha Avó paterna. Lembro-me perfeitamente desse fim-de-semana, em que falei à minha Avó acerca das prateleiras vazias da minha escrivaninha nova, e porque a minha Avó nunca me dizia que não, lá me deu 2 livros para a minha escrivaninha nova em pinho envernizado.

A minha escrivaninha tinha um tampo que fechava com chave e tudo, era parecida com a da Teresinha que eu adorava - a Teresinha era a minha vizinha, cerca de 2 anos mais velha do que eu -  só que a dela era ainda mais linda claro, porque a escrivaninha da vizinha é sempre melhor do que a minha.

Lembro-me que as lombadas dos livros que a Avó Rosa me deu eram coloridas e para mim, com 9 anos de idade, essa parte era muito importante: a decoração das prateleiras da escrivaninha. Ainda tenho esses livros lá em casa e, sou obrigada a confessar, nunca os li.

Mas, era na casa do Avô Zeca que eu ficava maravilhada, uma sala cheia de livros, um armário que ocupavam toda a parede, de cima a baixo. Dentro dos aparadores da sala havia ainda mais livros, revistas e jornais. Da casa do Avô Zeca fui trazendo muitos livros, um dia “emprestou-me” uma pasta castanha cheia de livros de Filosofia, sabia que eu gostava do tema, mas disse-me logo: estes livros são para leres mas, depois são para a entregares à Caxi. A minha prima Caxi - às vezes eu chamava-lhe Caixote só para a ver ficar vermelha de gana para me torcer o pescoço - era professora de Filosofia e naturalmente, fazia mais sentido que ficasse ela com os livros. 

Nunca cheguei a devolver os livros à minha prima, mas tenho em minha casa uma secção que é toda ela “Caxi”.

Conselhos: generosidade ou egoísmo?


Na minha opinião, os conselhos têm muito mais serventia para quem os dá, do que para quem os recebe.

Na prática, quando damos conselhos é como se estivéssemos a falar connosco, estamos a arrumar a nossa “casa”, a refletir sobre as nossas próprias experiências. Uma espécie de monólogo, em que partilhamos as experiências vividas na primeira pessoa ou, as aventuras e desventuras experienciadas por quem nos é mais próximo.

De certa forma, concordo com uma teoria que ouvi recentemente, que dizia qualquer coisa como: dar conselhos é uma forma simpática de resgatar o passado do lixo, limpá-lo muito bem limpinho, esconder as partes feiosas que nos envergonham até às entranhas, reciclá-lo e de seguida, vendê-lo por um preço muito maior do que realmente vale.

Lição n.º 100


Lição n.º 100


Normalmente passo a hora de almoço com alguns colegas de trabalho, temos apenas uma hora de intervalo pelo que, fazemos as refeições na cozinha do escritório. O nosso escritório é, na prática, um T6 de 240 m2, espaçoso, muito confortável em que não falta nada, nem forno para os bolos que prometemos fazer e até hoje, nem um. O nosso forno conheceu apenas um frango, assou-o lindamente, estava uma delicia, graças à nossa mestre na arte culinária Helena e também ao Jonhy que, ajudou a descascar as batatas. Em suma, temos uma cozinha giríssima, toda equipada e durante estes minutos de pausa tentamos normalmente não falar de trabalho.

Hoje, o meu almoço foi, para além de bastante descontraído como de resto são todos os meus almoços, muito fértil em partilha de memórias.

Não sei muito bem como mas, de repente, estávamos a falar da comemoração da “lição número 100”, acho que em toda a minha existência após frequência do ciclo preparatório e escola secundária, nunca mais me tinha lembrado da existência e importância desta comemoração célebre que era a “lição número 100”. Lembrei-me de alguns colegas que não vejo certamente há mais de uma década, lembrei-me de toda a excitação que envolvia esta data: será que o professor ia deixar comemorar; trazíamos bolo, sumos, gomas, batatas fritas; pratos e copos de plástico… Ouviam-se gritinhos, risos, conversas paralelas, piadas, todos a falarem ao mesmo tempo, todos a queriam ser úteis: empurra a mesa para lá, trás cadeiras para aqui, quem trouxe esta torta?
Gomas, gomas e mais gomas!


Sem dúvida uma lição de partilha, objetivo atingido, tarefas divididas… A simbologia da lição número 100 é sem dúvida, maior do que eu pensava, e foi muito bom recordar e partilhar agora com colegas de outro campeonato e saber que também eles comemoraram as suas lições, isso e os sorrisos que trocamos fizeram dos meus 60 minutos de almoço mais uma lição, só não sei que número lhe dar...